terça-feira, maio 17, 2022

Amazon Prime Vídeo utilizou uma publicação na revista Vanity Fair para atacar fãs de O Senhor dos Anéis que haviam criticado as imagens da prévia de Os Anéis do Poder por não se manterem fiéis a obra original de Tolkien.

Como já era esperado de Hollywood e seu forte teor identitário, a executor produtivo de Os Anéis do Poder, Lindsey Weber, explica que o show alterou e moldou racialmente diferentes personagens para que “refletissem o que o mundo realmente se parece”.

No artigo publicado pela Vanity Fair também é revelado que o show incluirá Lenny Henry como Harfoot, Sophia Nomvete como uma princesa anã chamada Disa, e Ismael Cruz Córdova como um elfo.

Ela argumenta, “Tolkien é para todos. Suas histórias são sobre raças ficcionais dando o seu melhor ao abandonarem o isolamento de suas próprias culturas e se unirem”.

Bem, algumas pessoas podem pensar que quando se adapta uma peça de ficção que possui uma história consagrada, esta adaptação deveria refletir o que o autor realmente escreveu ao invés do que elas imaginam que o “mundo realmente se parece”.

Isso nos leva a questionar os motivos que levaram a Amazon a adaptar Tolkien se a empresa não tinha a intenção de refletir o que ele escreveu.

E surpreendentemente, o artigo na Vanity Fair prossegue ofendendo aqueles que gostariam que o show da Amazon Prime Video seguisse fiel ao trabalho de Tolkien como “trolls”.

Anthony Breznican e Joanna Robinson, ambos redatores da Vanity Fair, escreveram, “Quando a Amazon liberou as fotos de seu elenco multicultura, mesmo sem os nomes dos personagens e detalhes da trama, o estúdio recebeu duros ataques de trolls — daquele tipo anônimo de internet”.

Eles então prosseguem com as ofensas e tentam ridicularizar os fãs citando uma dita estudiosa de Tolkien chamada Mariana Rios Maldonado. Mariana não é uma estudiosa das obras de Tolkien, mas uma estudante na Universidade de Glasgow com “interesses em ética, teoria feminista, e em encontrar o Outro na obra de Tolkien”. O que se parece muito com uma ‘justiceira social’, se é que existe tal coisa.

Se ainda não está convencido da parcialidade da tal estudiosa, Maldonado também é Coordenadora de Diversidade e Igualdade do Centro de Fantasia e do Fantástico da Universidade de Glasgow.

Todavia, Vanity Fair, e por associação também a Amazon, colocou nessa feminista o título de estudiosa de Tolkien simplesmente para atacar seus fãs.

Maldonato diz à Vanity Fair, “Obviamente existirá barulho e revolta, mas a pergunta é de quem isso virá? Quem são essas pessoas que se sentem tão ameaçadas ou enojadas pela ideia de um elfo negro, latino ou asiático?”

Bem, esses são na verdade fãs do trabalho de Tolkien que gostariam que as adaptações de sua obra se mantivessem fiéis a aquilo o que ele escreveu. Ao invés de tentar compreender esses fãs, a tal estudiosa tem como primeiro pensamento atacar as pessoas, o que curiosamente a faz muito similar a um vilão de Tolkien chamado Grima Wormtongue.

Além de atacarem os fãs, Vanity Fair e a Amazon deixaram clara a intenção dos estúdios de que a escolha dos atores foi feita justamente para causar polêmica. E isso gera preocupação entre os fãs, visto que se nem ao menos conseguem selecionar o elenco de acordo com os anseios dos fãs, provavelmente não conseguirão fazer todo o resto adequadamente.

A preocupação se torna ainda mais justificável quando vemos o que os produtores do show, JD Payne e Patrick McKay, fizeram com a linha do tempo da história ao abandonar completamente o original.

Os produtores explicaram sua decisão dizendo, “Se nós seguirmos a risca o que está escrito, teremos que contar uma história onde todos os seus personagens humanos morrem ao final de cada temporada, pois há hiatos de 200 anos, e então você não conheceria grandes personagens canônicos até a quarta temporada. Veja bem, talvez haja alguns fãs que queiram que façamos um documentário sobre a Terra Média, porém, nós iremos contar uma história que une todas essas coisas”.

Ironicamente, Vanity Fair denota como a linha do tempo e os detalhes eram importantes para Tolkien logo no início do artigo quando escreven, “Essas linhas do tempo, genealogias e notas de roda pé sobre línguas e culturas se tornaram tão importantes para Tolkien que ele até mesmo postergou a publicação do livro final, O Retorno do Rei, apenas para termina-las”.

Eles até mesmo citam a carta de Tolkien para Allen e Unwin, os editores suecos de O Senhor dos Anéis, sobre a importância de todos os apêndices. Vanity Fair lembra da afirmação de Tolkien, “elas (os apêndices) tem um papel central em produzir o efeito total da obra”.

Na mesma carta, eles também citaram Tolkien escrevendo que os apêndices produzem “o senso de realidade histórica”.

Na verdade, Tolkien escreveu, “Meu maior interesse em ser traduzido é pecuniário, contanto que o texto base seja tratado com respeito; de modo que mesmo se uma pequena parte do texto for ultrajada, eu prefiro me abster de fazer ou dizer qualquer coisa que possa dar seguimento ao bom negócio de ser publicado em outros países”.

E adicionou, “Eu não acredito que eles (os apêndices) dão a obra um aspecto ‘acadêmico’ (leia-se pedante), e eles tem um papel central em produzir o efeito total, como os tradutores mesmos apontaram.”

Tolkien mesmo notou, “Na verdade, uma analise de centenas de cartas mostra que os apêndices tem uma papel muito importante no prazer de leitura, transformando leitores de biblioteca em compradores (na medida que os apêndices são necessários para referência), e criam demanda para um outro livro. Uma firme distinção deve ser feita entre o gosto dos críticos e os leitores! E eu imagino que eu entenda muito bem do gosto das pessoas de mente simples (como eu mesmo)”.

Além do ataque aos fãs de Senhor dos Anéis, talvez o ponto mais preocupante de todo o artigo é o orgulho de Payne e McKay em acharem que podem fazer a obra de Tolkien melhor do que o próprio Tolkien.

McKay diz à Vanity Fair que a principal questão por detrás da série era, “Nós poderíamos criar uma série que Tolkien nunca escreveu e fazer com que ela se tornasse um grande sucesso?”.

“Nós acreditamos que esse trabalho eventualmente irá falar por si mesmo”, Payne adiciona. “Antes de uma orquestra começar, a audiência fala uns com os outros, mas assim que a música começa, você é engajado e começa a escutar aquela música”.

O trabalho já está falando por si só e está claramente desviando fortemente dos apêndices de J. R. R. Tolkien e O Silmarillion, exatamente como muitos fãs já suspeitavam assim que foram feitos os anúncios sobre o elenco.

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