sexta-feira, maio 20, 2022

Após a recente polêmica entre Bruno Aiub (Monark), Tabata Amaral (PSB-SP) e Kim Kataguiri (Podemos-SP) no podcast ao estilo Joe Rogan mais famoso do Brasil, reacendeu-se o debate entre os limites da liberdade de expressão em uma democracia moderna.

O Fato

Durante o programa, os interlocutores discutiam quanto aos espaços de discussão pública entre a esquerda radical e a direita radical.

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Tabata Amaral defendeu a ideia de que agora era o momento da esquerda ter mais espaço no debate público, pois estaríamos fechando um ciclo de debates amplos mais à direita na sociedade.

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Monark interrompe a fala da deputada e diz acreditar que a esquerda radical ainda possui muito mais espaço no debate público do que a direita radical, citando como exemplo o fato de não haver um partido nazista legalizado no Brasil. Em seguida, defende a ideia de que um partido nazista deveria existir no Brasil aos moldes do modelo americano de democracia.

Tabata Amaral retruca dizendo que não concorda com a criação de um partido nazista no Brasil pois o ideal nazista é contrário a existência de um grupo étnico e portanto não deveria ser tolerado.

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Kim Kataguiri entra na discussão dizendo que por mais absurda, idiota, antidemocrática ou bizarra que seja uma ideia, essa ideia não deve ser criminalizada, pois, segundo sua opinião, o melhor caminho para combater uma ideia errada é combatê-la socialmente e então socialmente rejeita-la.

“A gente tem um partido formal comunista aceito socialmente com espaço na imprensa, no parlamento, e a gente não tem um partido de extrema direita fascista ou nazista com espaço no parlamento, com espaço na imprensa”, diz o deputado.

A Repercussão

Poucas horas após o programa 545 do Flow, vários influenciadores de todos os espectros políticos começaram a se pronunciar em relação a fala do entrevistador.

A discussão pública tomou corpo tão rápido que o fato foi citado em horário nobre na televisão aberta e repercutiu até no Supremo Tribunal Federal com fala dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.

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Em pronunciamento em suas redes sociais, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes se pronunciaram contra a apologia ao nazismo.

Segundo a BBC Brasil, o procurador geral da república, Augusto Aras, iniciou investigação das declarações dadas por Monark durante o programa a pedido do coletivo Judeus pela Democracia São Paulo.

Internacionalmente, Glenn Greenwald foi o primeiro a se pronunciar sobre o caso, apontando para o fato de que toda mídia tradicional do país em conluio com partidos de centro e esquerda se uniram para atacar Bruno Aiub.

O jornalista, que é judeu e homossexual, foi repetidamente acusado de antissemitismo e homofobia em seu perfil no Twitter.

Desfecho

Em pronunciamento na noite desta terça-feira, o segundo sócio fundador do programa, Igor Coelho, anunciou a demissão de Bruno Aiub dos estúdios Flow e a compra da outra metade da empresa por ele. A decisão, segundo ele, foi comum acordo entre as duas partes.

Contraponto

Nas redes sociais, há pessoas divididas entre dois polos, tanto em defesa quanto em ataque ao apresentador.

Importante notar que aqueles que estão saindo em defesa de Monark não estão exprimindo uma defesa a ideologia nazista, mas dizendo que o que o apresentador embriagado estava tentando defender era uma liberdade de expressão irrestrita aos moldes do que é praticado nos Estados Unidos.

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Também é importante perceber uma certa incoerência em seus críticos mais ferrenhos, pois ao mesmo tempo que criticam uma suposta filiação do apresentador ao nazismo, se identificam, sem ressalvas, a ideologias identitárias que promoveram e continuam a promover genocídios tão sangrentos ou piores que o próprio nacional socialismo alemão.

No momento em que escrevemos esse texto, populações uigures na China são mantidas cativas em campos de concentração. A mesma comoção não é vista no debate nacional quanto aos apoiadores do PCC.

Ao contrário do que seria esperado, representantes políticos dos ditos defensores da vida e da democracia defendem abertamente a existência do Partido Comunista Chinês e suavizam atrocidades cometidas na realidade, e não somente no discurso, por seus compinchas ideológicos.

Como não recordar de um professor de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, associado ao Partido dos Trabalhadores, que propôs o fuzilamento de seus detratores políticos os chamando de inimigos da pátria?

E como esquecer do também professor Mauro Lasi, filiado ao Partido Comunista Brasileiro e ex-presidente da Associação de Docentes da UFRJ, defendendo abertamente o assassinato em massa de todos opositores do partido?

Gostaríamos de lembrar que não estamos falando de um jovem bêbado e usuário de drogas, mas de indivíduos ativos na política nacional, ocupando posições de alto prestígio na sociedade e muito bem pagas com dinheiro público.

Será que um dia teremos o mesmo peso e celeridade para averiguar, julgar e condenar atrocidades verbalizadas e promovidas por gente da extrema esquerda nesse país?

Particularmente, acreditamos que não, pois não enxergamos em nenhum cenário possível para os próximos anos uma tendência das lideranças em reunirem seus membros para exame, autocrítica e tentativa de achar pontos em comuns com seus adversários.

Pelo contrário, como já havia denunciado Simone Weil em Pela Supressão dos Partidos Políticos, os partidos políticos são organizações autoritárias e rígidas cuja tendência é a lapidação da república e roubo sistematizado ao fomentar paixões coletivas e conflito entre os indivíduos.

Na política partidária, não há espaço para autocrítica, somente o nós contra eles e o crescimento exponencial do partido até o autofagia completa e o colapso social.

Quem é Bruno Aiub? É um adulto jovem, como tantos outros por aí, com sinais de transtorno depressivo e usuário de entorpecentes que por acaso se tornou famoso na internet.

Enquanto sua imagem de promotor da legalização das drogas ajudava a narrativa partidária, lhe foi permitido continuar agindo no meio cultural. Quando sua empresa ganhou relevância e abriu portas para vários representantes da sociedade debaterem ideias que já circulavam em nosso meio, ele se tornou um problema.

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Para os partidos, a mídia tradicional e seus beneficiários, o problema com o Monark não é o que ele disse ou deixou de dizer. O problema é justamente ele ter sido um meio de comunicação que não estava sob o controle da narrativa política e dos fluxos de informação consolidados.

Monark é só mais um bode expiatório no altar da antiga prática de sacrifício ritual, onde um terceiro é oferecido em holocausto para expiar os pecados da sociedade. Isso nunca funcionou e continuará não funcionando.

Nós, como sociedade brasileira, ao permitirmos esse show de horrores que está sendo realizado contra um doente mental não estamos nos tornando uma sociedade mais justa e afastada do totalitarismo. Pelo contrário, estamos caminhando a passos largos para um totalitarismo genocida talvez muito pior do que aquele perpetrado pelos nazistas.

Na cabeça dos autoproclamados defensores da democracia, não existe a possibilidade deles próprios possuírem um veio autoritário e genocida. Não faz parte de seus mundos imaginativos as ações do Khmer Vermelho, no Holodomor ou no Grande Expurgo Soviético, e a participação das ideias que defendem nesses eventos horrendos.

Monark nunca se colocou em posição de intelectual, grande estudioso ou boa influência, pelo contrário, em diversas oportunidades se auto intitulou como um idiota, alguém que não deve ser ouvido. Não vejo nesse tipo de personalidade um perigo, mas vejo sim nos autoproclamados arautos da democracia e das boas virtudes.

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